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16 de Fevereiro de 2018
Mulher com lipodistrofia

Entendendo melhor a lipodistrofia

No imaginário das pessoas, o portador do vírus da AIDS até hoje é visto como alguém esquelético, com rosto marcado por sulcos, braços e pernas sem gordura e cheios de machucados, mesmo que o tratamento da doença tenha melhorado imensamente nos últimos anos tornando impossível identificar alguém em tratamento apenas pela aparência.

Essa condição esquelética é chamada de lipodistrofia e acontece graças a um conjunto de alterações na distribuição de gordura, causadas por problemas de metabolismo. Pode acometer não apenas pacientes em tratamento para o HIV, mas também com pessoas com diabetes.

Nesse último caso a lipodistrofia se apresenta de outra forma: a aplicação de insulina repetidamente no mesmo local pode fazer aparecer um “calombo” na região devido ao acúmulo de gordura.

Quando a lipodistrofia acumula gordura é chamada de lipo-hipertrofia, e quando perde, de lipoatrofia.

Homem com lipoatrofia | Entendendo melhor a lipodistrofia

Lipoatrofia

Basicamente, lipoatrofia é a perda de gordura nas pernas, braços, rosto e glúteos na camada logo abaixo da pele, o que deixa à mostra vasos e veias. A condição não é apenas estética: a gordura que se perde serve para proteger esses vasos e veias, que sem essa proteção ficam muito mais suscetíveis a um corte, por exemplo.

Homem com lipo-hipertrofia | Entendendo melhor a lipodistrofia

 

Lipo-hipertrofia

A lipo-hipertrofia ocorre mais frequentemente na região abdominal, onde é mais prático e indolor para o diabético realizar as injeções. A condição é caracterizada pelo surgimento de nódulos nos locais de injeção, que podem ser causados tanto pela falta de rodízio de locais de aplicação de insulina quanto pelo efeito da própria substância.

Como a lipodistrofia surge?

Muita gente acredita que a lipoatrofia é um efeito colateral de medicamentos para o vírus HIV, mas isso não é completamente correto. Tanto a lipoatrofia quanto a lipo-hipertrofia são condições metabólicas que acontecem pela junção de vários fatores como a diabetes, a hipertensão, alterações de colesterol e triglicérides e até mesmo intolerância a glicose ou osteoporose precoce.
Somando isso ao vírus HIV, à medicação para o combate do vírus ou à falta de rodízio na aplicação de insulina, é comum a lipodistrofia se desenvolver, assim como a lipo-hipertrofia e uma combinação dos dois. Entretanto, hoje em dia os médicos infectologistas estão levando mais em consideração a qualidade de vida dos pacientes em tratamento conta o vírus HIV, e acompanhando os efeitos colaterais do coquetel antirretroviral.

Não são só a diabetes e o HIV que podem causar a lipodistrofia

Algumas das outras condições que podem causar a lipodistrofia são:

  • Hiperinsulinemia (elevação da insulina no sangue).
  • Intolerância a glicose.
  • Síndromes auto-inflamatórias.
  • Dermatomiosites.
  • Dermatite herpetiforme.
  • Arterite temporal.
  • Doença celíaca.
  • Anemia perniciosa.
  • Vasculite leucocitoclástica.
  • Contratura muscular.
  • Atrofia muscular.
  • Anemia microcítica.
  • Insuficiência renal.
  • Lipodistrofia progressiva.
  • Síndrome de POEMS.
  • Síndromes congênitas.

Como prevenir a lipodistrofia?

Para quem faz parte do grupo de risco é importante manter atividades físicas regulares a fim de fortalecer a musculatura, e mesclar com treinos aeróbicos para controlar o peso, pois se não existe excesso de gordura não é possível acumulá-la. Para isso é preciso também cuidar da alimentação, mantendo uma dieta saudável e balanceada.
Para pacientes com diabetes é importante, além de revezar os locais de aplicação, intercalar os locais de injeção dentro da área escolhida, alternar os lados da parte do corpo usada e trocar a agulha a cada aplicação, pois sua reutilização também pode causar a lipodistrofia.

Como tratar a lipodistrofia

Em pacientes em que o acúmulo de gordura já aconteceu, o melhor é deixar a área descansar, realizando a aplicação da insulina em outro local. Alguns pacientes conseguem bons resultados com drenagem linfática.
Em pacientes com lipoatrofia é recomendado realizar a substituição dos antirretrovirais, sempre com acompanhamento médico.
Existem também algumas opções de medicamentos e tratamentos hormonais. Procedimentos estéticos como preenchimentos faciais também estão disponíveis para pacientes com lipodistrofia, mas sempre com o aval médico.

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